2ª Opinião: Aparelho fixo em dentes decíduos: é possivel - by: Gustavo Camilo
A Coluna 2ª Opinião é um espaço, no Ortoblog, dedicado aos convidados especiais.
Com um artigo de prima qualidade, o convidado de hoje é o meu amigo Dr. Gustavo Camilo. Ao ler o artigo do Dr. Gustavo, sentimos logo que ele tem o dom de facilitar o difícil e explicar o complicado, descomplicando. No dia que eu tiver filhos, eles já tem um dentista!
BIO:
Gustavo Camilo do Nascimento Costa
- Formado pela Universidade Federal de Alfenas (Unifal) - MG
- Especialista em Odontopediatria pela Associação Paulista de Cirurgiões Dentistas (APCD), Regional São Carlos - SP
- Odontopediatra e professor dos Curso de Aperfeiçoamento em Ortodontia Preventiva e no Curso de Especialização em Ortodontia do Instituto Lenza, em Goiânia-GO.
- Autor do Blog do Tio Dentista
- Colaborador no blog Medo de Dentista
Contatos:
email: tiodentista@gmail.com
facebook: www.facebook.com/tiodentista (perfil do blog) / www.facebook.com/gustavocamilo78 (perfil pessoal)
twitter: @tiodentista (perfil do blog)
@tiogoo (perfil pessoal)
Há alguns meses, tive a imensa honra de receber lá no Blog do Tio Dentista a visita do colega e amigo Léo Augusto, autor aqui do Ortoblog. Na ocasião, ele me ajudou a mostrar para muitos pais e mães que criança pode usar aparelho sim, desde que o diagnóstico tenha sido o mais adequado. Entretanto, os aparelhos utilizados pela Ortodontia Preventiva são diferentes do conjunto bandas-fio-bráquetes-borrachinhas a que muitos estão acostumados.
Hoje eu venho retribuir a visita pra falar do mesmo assunto, mas sob um enfoque diferente: tratamento ortodôntico em dentes decíduos. Por que não usar o aparelho fixo convencional, com bráquetes e fios?
Pelo simples fato de que eles NÃO
FORAM FEITOS para dentes decíduos. Até porque, dentes decíduos não foram feitos
para serem movimentados. Decíduo, como o próprio dicionário nos diz, é aquilo
“que cai ou se desprende em determinada fase do desenvolvimento.” Resumindo:
dente decíduo foi feito pra cair mesmo!
Assim que o dente de leite
termina a sua formação, ele começa seu processo de rizólise, ou seja, de
reabsorção da raiz. Esse processo é lento, gradual e fisiológico. É normal que
aconteça. Essa reabsorção ocorre devido aos mediadores químicos presentes em
áreas sem estresse celular ou inflamação. Tais mediadores encontram-se em
quantidade bastante reduzida, fazendo com que o processo de reabsorção seja
lento. Além disso, os dentes decíduos têm pouca quantidade de cementoblastos,
células que acabam protegendo a raiz por não terem receptores para os
mediadores da reabsorção.
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| Prêmio Top Simpatia |
O problema é que, nos dentes
decíduos – como foi falado anteriormente – a quantidade de cementoblastos é
pequena, havendo vários pontos da superfície radicular “desprotegidos”. A movimentação induzida pelo aparelho, ao
gerar força e estresse no ligamento periodontal, faz com que haja um acúmulo
dos mediadores da reabsorção. Por conseguinte, o processo de rizólise é
acelerado. Qual o risco? Chegar ao final do tratamento só com as coroas dos
dentes decíduos, literalmente penduradas no aparelho fixo!
Mas e se o paciente tiver um
apinhamento severo ainda na dentição decídua?
Não seria o caso de colocar um
aparelho pra diluir esse apinhamento e, assim, evitar que o mesmo ocorra na
dentição permanente?
Não!
O que temos que ter em mente
sempre é que a criança é um ser dinâmico e está em constante crescimento e
desenvolvimento. Isso significa que a gente tem que levar em consideração o que
a própria natureza pode fazer por ela durante todo esse processo. Estou falando
dos “mecanismos compensatórios do crescimento”: crescimento transversal dos
arcos dentários, aproveitamento do espaço livre de Nance (leeway space), maior
inclinação para vestibular dos incisivos permanentes e curva de Spee (no caso
do apinhamento, não entram os diastemas inter incisivos e os espaços primatas).
Tudo isso contribui para um aumento no perímetro do arco, o que permite uma
melhor acomodação dos dentes. É claro que, muitas vezes, isso não é suficiente.
Nos casos de apinhamento na dentição decídua, a probabilidade do mesmo se
repetir na permanente é praticamente de 100%. Nesse caso, há que se considerar
as extrações seriadas como alternativa de tratamento.
O que eu quero dizer com tudo
isso? Que movimentar dentes decíduos ortodonticamente não previne futuros
problemas na dentição permanente. E o que é pior: pode agravar a própria
dentição decídua, através da aceleração do processo de rizólise.
Portanto, ainda que pais e crianças
possam querer os bráquetes e as borrachinhas, é importante que nós,
ortodontistas e odontopediatras, expliquemos o porquê de nossa conduta, sempre
ressaltando que estamos oferecendo o que há de melhor e mais adequado para cada
paciente!


Discussão de Casos clínicos no OrtoBlog! Veja 






4 comentários:
Léo,
Obrigado mais uma vez pelo espaço e por tantos elogios! E será um prazer cuidar dos herdeiros!
Um grande abraço!
Realmente... uma segunda opinião de primeira qualidade! Um texto completo e rico em informações essenciais. Parabéns, Tio! :)
E a criançada, às vezes, não vê a hora de colocar aparelho fixo mesmo, só pra se divertir com as "borrachinhas"... mas tudo tem hora!
Post já favoritado! :)
Otimo post.
Ortopedia facial já e nao ortodontia precoce.
Lindo artigo, devemos também nos lembrar da Ortopedia funcional dos maxilares esta que induz o crescimento e o desenvolvimento das bases oseas para o bom crescimento da face do nosso paciente
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